PARTE 1: E agora, senhor Livreiro?
Existem livrarias que nos ficam na memória. Bem compreenderão que isso para nós, livros, é muito importante. Importantíssimo! Até acentuaria mais, quase a arriscar um erro: importantérrimo!
Uma livraria é a nossa casa. Na verdade, mais do que casa... é o nosso Lar. E que palavra linda esta, escrita com três letrinhas apenas.
Lar, lindo lar era aquele. Logo a receber-nos, a porta antiga desenhada em madeira de carvalho era um convite a entrar. Dlim, dlom, fazia a campainha sempre que alguém por ela passava.
Mas o dlim, dlom não só era o sinal das boas-vindas. Era o toque mágico que anunciava a tão desejada presença… do leitor! Depois, soava um dlim, dlom mais feliz quando o leitor saía levando o livro embrulhado com o sorriso cúmplice do livreiro.
Ah, pode-se lá entrar numa livraria – em qualquer livraria – e não ficar com o interesse entalado entre as páginas de um livro?! Então na minha livraria, por onde tantos curiosos entraram, tantas histórias foram procuradas e encontradas, tantos segredos partilhados.
Aha! Também já estão a ficar curiosos, jovens leitores, bem sinto aqui. Pois vamos lá a ver se consigo soprar o pó da memória que vai tapando estas carreirinhas de letras. Pffff... pfff. Já se lê? Já conseguem ler?
Tempos houve ou terá havido, uma pequena livraria de bairro. Pequena, mas talvez por isso mesmo, muito acolhedora. Situada numa rua comercial de um simpático bairro, as pessoas que por ali passavam admiravam sempre a montra. Linda montra, sim senhor! Grande e soalheira, de vidro bem lavado, que convidava a luz da leitura – e da novidade – a entrar.
Era a menina Nela, sobrinha do livreiro Liácio, quem da montra cuidava. No arrumo dos livros punha o aprumo de um lar. Do nosso lar, já se sabe.
Atravessada a porta - dlim, dlom! - o cheiro a livros recebia o cliente. Confesso que, por vezes, a agitação da livralhada era tanta que o odor dos livros fugia para a rua. “O que procura?”, perguntava amavelmente o senhor Liácio, a quem o original nome traçara o destino.
De facto, desde rapazote Liáciozinho, conforme era por todos conhecido no bairro, revelara uma desnatural curiosidade e interesse por livros. De tal modo assim era que, na escola, lhe chamavam entre recreios e correrias, Liácio, o encantador de livros. Mas bem podia a rapaziada gozar, provocar, fazer troça... Porém, ao invés de se mostrar ofendido, Liácio sorria e sempre respondia com um leve pestanejar: obrigado!
Escusado será dizer que provocação sem arreliação perde a graça e, no final dos estudos já era comum encontrar o Liácio acompanhado por livros... e por colegas que, afinal, lhe pediam sugestões de leitura.
Mas retomemos o que agora mais importa.
Foi dito que no interior da loja encontrávamos livros, muitos livros, uns arrumados e outros desarrumados, a menina Nela e o senhor Liácio. Mas não só.
Na minha livraria também vivia um gato. Um gato felpudo, ronronante e rechonchudo, malhado a preto no branco tal como as páginas de muitos livros. Gato meigo, manso e esperto, exibia uma singular cauda nos movimentos que dengosamente desenhava, ia desenhando, sempre que passeava por entre os livros, por entre as pernas da menina Nela e do senhor Liácio. Era o Maravilhas.
Incerto dia – seria primavera? – entraram dois jovens amigos na minha livraria. Ele, de sardas; ela, de tranças. Tinham reparado no Maravilhas deitado no sol da montra. Queriam verificar se era um gato de miar verdadeiro.
O dlim dlom soou na porta e a menina Nela apressou-se em saber ao que vinham, o que procuravam. As tranças e as sardas sorriram.
- Viemos ver o gato. Como se chama?
- Podemos tocar? Parece ter um pelo tão macio…
O senhor Liácio aproximou-se da conversa:
- Os gatos são excelentes companheiros para os momentos de leitura. A propósito, ó Nela, onde está aquele nosso livro acerca dos gatos?
A menina Nela foi prontamente buscar o escadote dos três degraus. Subiu e desceu. Não encontrou. Deslocou um pouco o escadote. Voltou a subir. E a descer. “Que estranho, não o encontro”, suspirou. O senhor Liácio ajeitou os óculos e decidiu entrar em ação.
Os jovens amigos perceberam a preocupação: “Como se chama o livro?”, perguntaram. No preciso momento em que o senhor Liácio respondeu, o Maravilhas largou um miado bem alto num pulo assustado e na porta de madeira de carvalho soou um dlim dlom mais forte.
Mas…o que foi isto? Porque miou e pulou assim o Maravilhas? O que teria provocado aquele estranho ruído na campainha? Mas, afinal o que se passara aqui, na minha livraria? Todos os meus amigos livros estavam inquietos e intrigados. Alguns, muito assustados. Queríamos tanto uma resposta…
PARTE 2: Uma resposta nunca vem só
Agora já podes ler toda a história que inclui as tuas sugestões!
Mas uma resposta nunca vem só. Com ela vêm mais dúvidas e interrogações. Pois foi isso que aconteceu na minha livraria. Ora escutem, não adormeçam já!
Quando o senhor Liácio pronunciou o título do tal livro dos gatos, abriu-se com enorme estrondo uma porta escondida nos fundos da livraria. Era uma porta de madeira carunchada esquecida por todos. Na verdade, nunca ninguém soube da chave nem para onde a porta iria dar. Seria uma passagem secreta?
Foi o senhor Liácio quem primeiro reagiu aproximando-se cautelosamente da passagem escura que a porta, agora semiaberta, deixava antever.
– Shhhh, estão a ouvir? Estão a ouvir alguma coisa? Shhhh… ssshhhhiu…
Nada. Ninguém ouvia. Os dois amigos, das tranças e das sardas, só escutavam o bater nervoso dos seus corações – Tum-tum! Tum-tum! – enquanto as mãos trementes da menina Nela acalmavam o pelo eriçado do Maravilhas que saltara para o seu colo: fsss, fsss, sibilava o gato. Mas que equipa de detetives aquela!
O senhor Liácio avançava pé ante pé, curvado no medo, e repetia:
– Shhhh, estão a ouvir alguma coisa? Estão a ouvir? Shhhh… Esperem, parece-me que ouço… ouço… passos… sim, estou a ouvir passos! Escondam-se, depressa, depressa!
A menina Nela, engasgada com o nervoso, gaguejou:
– Mas, mas…não será melhor pedir ajuda?
Nem teve tempo para responder. Ali estava uma figura imponente, de casaco e chapéu pretos e felpudos (ui, seria pelo de gato?). No ombro, um papagaio verde. O papagaio palrou com voz rouca:
– Livros! Livros! Queremos livros! Livros! Livros! Queremos livros!
Depois, a voz da misteriosa figura gigante:
– Não te lembras de mim?
O Liácio tremeu a cabeça. Quem seria este ser fantasmagórico? Seria um ladrão, um sugador de letras? O Alexandre, seu concorrente invejoso? A vizinha Odete, com o seu papagaio ou a alma da D. Antonieta, antiga dona da livraria? Seria Jonas, o Rei dos Gatos ou o Luís, o antigo dono do Maravilhas, mas que o maltratava? Isso explicaria o pulo do Maravilhas!? Seria tudo isto um sonho maluco?
– Não te lembras? – insistiu o visitante.
– Cuidado, pode ser um bruxo e soltar uma maldição! – avisou a menina Nela.
– Um perigoso ladrão de gatos! Um perigoso ladrão de livros! – disseram os dois amigos numa só voz.
– Não tenham receio… – e o visitante avançou mais dois passos.
O Liácio sentiu um cheiro familiar e o Maravilhas, também. Brusco, libertou-se do colo da Nela e, para espanto de todos, não fugiu. Foi enroscar-se nas pernas da figura sinistra. A figura assobiou. Seria uma espécie de código? Saberia ele falar gatarrês?
– Esta porta permanece cerrada há muito tempo, é verdade… – informou a figura mistério. E prosseguiu – Acho que isto também vos pertence. Os animais encontram sempre passagens secretas para o que mais lhes interessa – disse, abrindo uma caixa de cartão onde ronronavam dois gatos bebes.
As tranças e as sardas foram apanhadas de surpresa. Deveriam aproximar-se?
– Deixe-se de enigmas, afinal quem é o senhor? – perguntou Liácio.
– A sério que não te lembras? Não tenhas medo, não venho tirar nada. Na verdade, venho devolver.
– Livros! Livros! Queremos livros! Livros! Livros! Queremos livros! – esvoaçou o papagaio.
O senhor Liácio temeu que o papagaio lhe roubasse os livros. Mas a figura misteriosa, num gesto vagaroso, meteu a mão dentro do casaco e retirou um envelope. Seria uma carta, um mapa, um livro? Seria a resposta que todos queríamos?
– O nosso livro dos gatos! Histórias, Aventuras e Curiosidades sobre Gatos, é o livro que procurávamos! – exclamou a menina Nela.
O visitante esboçou um sorriso. Mas o enigma prosseguiu até ele exibir a gravata vermelha escondida sob o casaco felpudo.
– Pois é, Liácio… e, isto, também não te lembra nada?
– É… é???
– Sim, sou eu. O teu amigo Timóteo.
– Amigo… e professor! O meu querido professor, que sempre me recomendava livros na biblioteca da escola!
– E te levava à Feira do Livro!
– Sim, sim, como poderia esquecer?! Era nesses dias que punha a gravata vermelha!
– Porque os livros merecem sempre o nosso maior respeito!
Os dois homens soltaram uma gargalhada e deram um forte abraço.
– Como sempre, no fim da tempestade vem a bonança! – lembrou a menina das tranças. A Nela, que também sabia ditados, acrescentou:
─ Estou muito contente por o livro ter aparecido e o nosso Maravilhas não ter desaparecido. Quem procura sempre encontra!
─ Pois sim, meu caro Liácio… ou será que ainda te posso chamar Liáciozinho? Fui teu professor, grande amigo e … sou vizinho desta livraria… esta, não sabias tu! A dona Antonieta, a antiga livreira, era minha tia e morava por cima da loja. Quando faleceu, paz à sua boa alma, deixou-me a casa. Fiquei encantado quando descobri a passagem para a livraria. Mantive a porta fechada à espera do momento certo para te visitar.
─ E porque não o fez antes? Porque nos pregou agora este valente susto?
─ Sabes que também desconfio que os livros desta livraria têm vida própria… e gostava tanto de vos observar!
─ O quê? Afinal era um espião? ─ indignou-se a menina Nela.
─ Só se fosse um espião do bem. Não esqueço o que vi: as visitas da menina na cadeira de rodas – até sei que se chama Madalena! – o rapaz que odiava ler porque os pais o obrigavam ou até a senhora cega… Para todos eles ouvi-te ler com verdadeira dedicação, Liácio.
O Liácio – que agora mais parecia o Liáciozinho – sorriu, envergonhado. O professor Timóteo prosseguiu:
– E acho graça àquele leitor que vem acompanhado do cão salsicha. Por tudo isto, senti que chegou o momento de dar nova vida à livraria. Devolvo agora o livro dos gatos que quiseste vender num leilão. Já nem te lembras? Felizmente, tive essa informação a tempo e consegui comprá-lo! Ou esqueceste que este é um livro raro e precioso que esconde segredos?
– Mas isso foi há muito tempo, quando a livraria estava com dificuldades, após aquele incêndio – desculpou-se o Liácio.
– E agora, não está? Quem aqui entra?
– Nós! – exclamaram as tranças e as sardas.
– Mas vieram para ler ou comprar livros?
– Hummmm, na verdade, foi o gato que…
– Liácio, já se passaram muitos anos, mas nunca esqueci o carinho que tens pelos livros.
– Que aprendi consigo, professor Timóteo!
– Pois então, estamos de acordo. É chegado o momento de dar nova vida à livraria!
– Livros! Livros! Queremos livros! Livros! Livros! Queremos livros! – interrompeu o papagaio verde.
– Podíamos criar um espaço de encontro entre leitores e escritores, onde se inventam e partilham histórias – sugeriu a menina Nela, emocionada.
– Isso! Porque não uma confortável livraria-café? – arriscou o professor Timóteo, viciado em café e livros.
Foi assim que a minha livraria se transformou no ponto de encontro entre quem adora ler e partilhar histórias. Tal como a velhinha Marta, que trazia e levava livros presos com fita-cola com receio de os perder; o famoso Nick, inspetor de livrarias, ou o detetive-menino, Brian, entre tantos outros que nos visitavam apenas para ver as brincadeiras do gato com os gatinhos. Ao som do dlim dlom, entravam pessoas e animais diferentes: até um buldogue francês e um ouriço caixeiro!
Mas também os que gostavam de “viajar” e meditar entre as centenas de livros que habitavam a nossa livraria. O senhor Liácio e a menina Nela atendiam sempre com atenção e cuidado. Orientavam as escolhas e contavam histórias acerca dos livros e autores. Outros visitavam a nova livraria para escreverem as suas próprias histórias. E não me esqueço, não me posso esquecer, daquela menina de olhos verdes, a quem chamamos “guardiã dos livros”. Ela criou uma coleção mágica, inspirada no Gato Maravilhas, que aqui chegou embalada em 20 caixas e pôs a campainha da porta num frenesim – dlim dlom, dlom dlim!
O senhor Liácio, a menina Nela, os dois amigos (agora sei que se chamam Sara Tranças e Afonso Sardas) e o professor Timóteo tornaram-se inseparáveis. Ao final dos dias, cansados mas felizes, sentavam-se à volta da mesa de madeira, colocada junto à passagem secreta. Em algumas tardes tinham a companhia do menino que queria aprender a ler e sonhava ser escritor, e da menina bonita que se perdera, mas que se reencontrara ali, entre novos amigos. Por isso, decidiram mudar a tabuleta afixada sobre a porta de carvalho: “Livraria dos Segredos”. Até o papagaio verde aprendera o som da campainha: dlim dlom, dlom dlim, imitava ele.
Lá fora, no jardim, com lindas flores, o Sol iluminava com uma luz fascinante e ouviam-se os passarinhos a cantar, chilreando de alegria. Tudo fazia parte de um lugar verdadeiramente mágico onde poderia chover sumo de laranja porque simplesmente uma criança assim o imaginou. E escreveu.
Todos estavam felizes. Mas, e eu? Já se esqueceram de mim?
Sou um livro único, raro, mas ainda por editar. Reúno histórias de mais de 50 cabecinhas repletas dos segredos da imaginação. Estou cansado de esperar neste formato desconsiderado, agrafado em folhas A4, que alguém segura nas mãos. Acredito que chegou o momento de ser publicado e reconhecido.
Quero ser lido por muitos, lido por todos!
Por isso, aproveito esta ocasião para relembrar e insistir: será agora, senhor livreiro? Finalmente, poderei contar a minha história?
PARTE 2: Mas o que foi isto...? Colaboração#001
O senhor Liácio ficou preocupado e decidiu ir ver o que se passava. Quando lá chegou viu o livro sobre gatos no chão, vazio, sem graça, com as páginas todas em branco. Para além de ter ficado chocado e intrigado, também se sentiu verdadeiramente triste. Pouco depois, ouviu-se a menina Nela a perguntar:
─ Porque demoras tanto?
Ouvindo isto, o senhor Liácio foi ter com a Nela e os dois jovens. Disse, então, aos dois amigos que o último livro da edição sobre gatos já tinha sido vendido e ele simplesmente se esquecera. Eles estavam pouco convencidos, mas, mesmo assim, foram-se embora.
─ Porque mentiste? - quis saber a menina Nela, com a sobrancelha levantada.
O senhor Liácio contou-lhe o que tinha visto. A menina Nela nem podia crer no que tinha acabado de ouvir, e decidiu ir confirmar com os seus próprios olhos.
Enquanto isso, o senhor Liácio foi investigar a livraria. Os livros seguiam-no com o olhar, enquanto ele passava por eles, e faziam uma expressão com a capa que parecia gritar por ajuda. Até que chegou a uma secção de livros, cheia de livros em branco. Liácio sentiu um aperto no coração.
Estava tudo sossegado, até que as luzes se apagaram. O senhor Liácio foi ao encontro da menina Nela e, no preciso momento em que eles se reuniram, ouviram o Maravilhas a miar de preocupação e decidiram ir ver do que se tratava. O gato preto e branco estava a olhar na direção de uma estante de livros. A menina Nela e o senhor Liácio sentiram uma sensação que era quase como um barulho e seguiram-na, como duas serpentes a serem hipnotizadas pelo toque de uma flauta mágica. Quando chegaram à parte de trás da estante, viram um fantasma enorme que parecia ser feito de lençóis, como os dos filmes antigos, a sugar as letras como um aspirador. Tratava-se de um ser fantasmagórico que se alimentava do conteúdo dos livros, para ficar mais forte. O senhor Liácio sentiu um impulso a percorrer-lhe o corpo e gritou para que ele parasse, mas o fantasma não obedeceu e aprisionou-os nas profundezas de um mar de páginas em branco.
O que estava a fazer um fantasma na livraria?
E será que eles vão conseguir fugir?
Maria Beatriz Tibó, nº16, 6.º I
PARTE 2: Mas o que foi isto...? Colaboração#002
O estrondo foi tão grande, que não foi apenas o gato Maravilhas que se assustou. Até os próprios visitantes ficaram abismados com o rompante do dlim dlom!
Nela, que estava à procura do livro, com aquele assustador barulho desequilibrou-se e caiu do pequeno escadote. Valeu-lhe o pequeno monte de livros desarrumados, que lhe amparou a queda.
O Maravilhas, que estava assustado, ficou curioso, de rabo eriçado farejando um cheiro no ar que, de certa forma, lhe era familiar.
Enquanto o Maravilhas ia atrás daquele cheiro familiar, Nela, Liácio e os visitantes, cheios de curiosidade, seguiram o gato. Até que o Maravilhas parou, de repente, e começou a miar. Foi quando eles se aperceberam que estava, no cantinho entre dois livros, um pequeno ouriço-cacheiro!
Todos ficaram abismados com aquela situação.
O que teria afugentado aquele pequenote, para dentro da livraria?!
Porque seria aquele cheiro familiar ao gato?
Madalena Silva, n.º 14, 6.ºI
PARTE 2: Mas o que foi isto...? Colaboração#003
O Maravilhas terá saltado e miado daquela maneira pois tinha escondido o meu amigo que ninguém encontrava.
Dlim... Dlom... novamente, a porta de madeira abriu-se e sentiu-se uma ligeira brisa.
O Maravilhas estava a ficar cada vez mais assustado e pensou para si:
─ O que vou fazer da minha vida agora? Se lhes contar a verdade, ninguém vai acreditar em mim, mas se eu continuar aqui parado a transpirar de medo, toda a gente vai achar que tive alguma coisa a ver com isto!
DLIM... DLOM... cada vez a campainha soava com mais intensidade.
De repente, entraram dois homens que diziam querer fazer festinhas ao gato.
─ São eles! - exclamou o Maravilhas, mas como era apenas um gato, os humanos não ouviram nada para além de um MIAU aflito.
─ O que raio se passa contigo hoje, Maravilhas? – interrogou-o o senhor Liácio.
─ Deve estar assustado pela presença de tanta gente nova e, como não está habituado, deu-lhe para isto - disse Nela num tom de gozo, mas ligeiramente preocupada com o pobre gato.
─ Mas isto é uma livraria, estão sempre a entrar e a sair clientes, Nela. Talvez hoje esteja maldisposto porque não dormiu bem!
─ Espero que seja apenas isso, tio...
Mas não era nada disso. Afinal, a razão pela qual Maravilhas estava tão exaltado, a razão pela qual escondeu o meu compincha era pelo puro e simples facto de aqueles dois jovens não serem quem aparentavam ser. Não eram dois jovens que apenas queriam fazer festinhas ao gatinho, mas sim dois jovens que pretendiam levar o Maravilhas!
E, esperto como é, escondeu o livro, pois sabia que o velho e previsível Liácio iria empatá-los com um livro sobre qualquer coisa. Afinal esse é o seu trabalho, e para empatá-los ainda mais, decidiu escondê-lo num sítio bem visível, mas que nunca conseguiriam alcançar. Mas mesmo assim não o conseguiam encontrar, por isso, eu e os meus amigos começámos a esvoaçar por toda a livraria como graciosas borboletas formando uma seta a apontar para a direção onde se encontrava o nosso amigo.
Mas, antes de sequer terem oportunidade de perceber o que se estava a passar, Dlim... Dlom... soou novamente a campainha. O Maravilhas disse:
─ Quem será agora? De certeza que gente boa não é!
Sania Ferreira, n.º25, 6.ºG
PARTE 2: Mas o que foi isto...? Colaboração#004
O velho Liácio olhou para a porta com desconfiança. Aproximou-se lentamente, tentando ouvir qualquer som lá fora, mas tudo estava em silêncio. Olhou para os amigos e, com ar sério, disse:
─Talvez seja melhor eu não abrir a porta agora. Podemos esperar para ver se há algum movimento.
A Nela abanou a cabeça preocupada, aproximou-se do Maravilhas e tentou acalmá-lo, fazendo festinhas no seu pelo macio. Os livros na prateleira estavam em silêncio e de cara fechada, mas ao mesmo tempo, pareciam preocupados.
O tempo passou lentamente, e nada aconteceu. O dlim dlom da porta não soou novamente. O senhor Liácio decidiu que era seguro abrir a porta, e assim o fez. Do lado de fora, não havia ninguém. A rua estava deserta, e não havia sinal de quem pudesse ter tocado a campainha.
Os amigos olharam um para o outro, sem entender o que tinha acontecido. O Sr. Liácio agarrou o Maravilhas ao colo e acariciou o seu pelo e pensou em voz alta:
─Talvez tenha sido apenas um susto. Mas é melhor ficarmos atentos, nunca se sabe o que pode acontecer.
Os livros na estante pareciam concordar com ele, todos tinham sido testemunhas do estranho acontecimento, sabiam que era melhor estarem preparados para qualquer eventualidade.
A Nela olhou para o senhor Liácio e disse:
─Talvez devêssemos fechar a livraria mais cedo hoje! Não quero correr nenhum risco.
O senhor Liácio abanou a cabeça, concordando com a menina. Ele colocou o Maravilhas no chão e começou a fechar as portas e janelas da livraria. Os jovens amigos ajudaram-no, seguindo as suas instruções.
E assim, a livraria ficou em silêncio, com as luzes apagadas e as portas trancadas. Os livros na estante suspiraram aliviados, porque sabiam que estavam seguros. Mas todos eles estavam curiosos sobre o que tinha acontecido e perguntavam-se, se isso voltaria a acontecer…
Mariana Martins, n.º21, 6.ºG
PARTE 2: Mas o que foi isto...? Colaboração#005
Quando se ouviu o barulho da campainha, um senhor com um enorme manto preto saiu da livraria com um livro por pagar. O mistério e o desconhecimento de quem seria este senhor, foi a razão pela qual o gato Maravilhas miou.
O senhor Liácio foi imediatamente à polícia para denunciar o roubo, mas a polícia ignorou-o.
Liácio chegou a casa devastado, mas, algum tempo depois, encontrou na Internet um leilão nos Estados Unidos da América (EUA) com o livro que desapareceu. Afinal, o livro era muito raro e valia milhares de euros. Foi aí que o senhor Liácio decidiu partir para os EUA para reclamar o seu livro.
Ao chegar ao local onde se realizava o leilão, estando este já nos momentos finais, o senhor Liácio exclamou:
─ Parem o leilão!
Todas as pessoas estavam chocadas, até que ele mostrou uma imagem do seu livro, na sua livraria.
Afinal, enquanto estava a viajar, a sua sobrinha Nela encontrou provas de que o seu livro era o que estava no leilão e que tinha sido roubado.
O senhor Liácio reclamou o seu livro e voltou para a sua livraria. O ladrão foi preso e tudo acabou bem.
Tiago Capelo, nº 22, 6ºH
PARTE 2: Mas o que foi isto...? Colaboração#006
Todos dentro da nossa livraria olharam para trás, na direção do ruído alto da campainha que assustara todos, naquela calma e silenciosa sala.
─ Senhor Liácio, queremos ajudar-te a encontrar o livro! - exclamou o garoto que estava com seus amigos.
─ Sim! Diz-nos o nome do livro!
─ Infelizmente não posso dizer o nome do livro outra vez, meus jovens. Vocês vão ter que procurar sem a minha ajuda: Eu sinto muito!
Então o senhor Liácio rapidamente passou a sua velha e tremula mão pela alça da sua bolsa castanha de carteiro.
Mas o que aconteceu? Por que aquele pobre velhinho ficou tão assustado? Porquê, porquê, porquê?!
─ Menina! Por que razão o seu tio ficou tão assustado? Precisamos saber!... Conta-nos, conta-nos, conta-nos!
A garota não parou até a Nela responder:
─ Desculpem-me, infelizmente não tenho permissão para falar sobre isso!
Os jovens saíram curiosos e um pouco tristes por não terem a resposta que queriam.
Logo depois de eles saírem, Nela caminhou pelos longos corredores que estavam preenchidos com estantes paralelas umas às outras e, cuidadosamente, entre o corredor cinco e seis, procurou um certo livro, com muita atenção, até achar «O livro».
Nela, com cuidado, puxou o livro que tanto procurara. Ao puxá-lo, a estante arrastou um pouco para o lado... E mais um pouco... E... mais um pouco! Com um barulho estridente a estante terminou de arrastar, revelando uma longa escada que conduzia ao que parecia ser uma cave.
Quando estava prestes a descer lembrou-se do Maravilhas que tinha ficado à entrada. Apressou-se a subir e escutou um barulho, um ruído muito alto, tal como o que a campainha fez quando o seu tio revelou aos jovens o nome do livro.
─ Tem alguém aí?- perguntou Nela com voz trémula.
Chamou o Maravilhas rapidamente e o mesmo chegou perto dela em menos de cinco minutos. Ela pegou-o ao colo e apressou-se a descer até à cave, para ir buscar o precisava. O Maravilhas estava com uma roupinha azul bebé com um bolso. Nesse bolso havia um papel dobrado em várias partes. Nela abriu o papel e lá estava escrito tudo o que precisava:
- uma espada, ou um sabre de esgrima;
- uma lanterna;
- pilhas tamanho D ou C (variável de acordo com a lanterna que Nela escolheria);
- um fato fantástico, maravilhoso, poderoso e magnífico para esta ocasião (um fato de treino) ...
Lavinya Pereira, nº 14, 6ºH
PARTE 2: Mas o que foi isto...? Colaboração#007
Os livros não eram os únicos que queriam saber o que se tinha passado na livraria. O senhor Liácio e a menina Nela estavam curiosos e também um pouco assustados. E o gato Maravilhas escondera-se, mas porquê?
O senhor Liácio decidiu abrir a porta e viu um senhor muito alto e muito forte. Tinha um chapéu na cabeça e trazia um guarda-chuva na mão. Ao seu lado, estava um cão pequenino, com um ar simpático.
O senhor Liácio perguntou:
─ Porque é que a campainha fez este barulho estranho, que até o meu gato se assustou e se escondeu?!
O senhor respondeu:
─ Peço desculpa, não era minha intenção assustar ninguém, muito menos o seu gato. Mas penso que ele se assustou por causa do meu amigo de quatro patas. O Yuri consegue provocar esse efeito nos seus amigos miaus! - declarou entre risos.
─ Está bem, o Maravilhas pode ter sentido o cheiro do Yuri, mas isso não explica o som estranho da campainha.
─ Como pode ver, eu sou muito alto e esta campainha está demasiado baixa para mim. Para chegar até ela eu teria que me curvar e isso é algo que me custa muito fazer, pois sofro muito com dores nas costas. Por isso, usei o meu guarda-chuva para a fazer tocar, mas receio que por eu ser muito forte, o tenha feito com demasiada força. Lamento! Não queria assustar ninguém!
O senhor Liácio percebeu, aceitou as desculpas do senhor e convidou-o a entrar na sua livraria, assim como ao Yuri.
Mas o gato Maravilhas não saiu do seu esconderijo. Onde estaria ele?
Todos desataram às gargalhadas, até os livros, e o Yuri também latiu.
De repente ouviu-se um miau.
─ Olhem, é o Maravilhas. Está cheio de teias de aranha! - exclamou a menina Nela.
E começaram todos a rir outra vez...
Marcos Santos, nº 16, 6ºH
PARTE 2: Mas o que foi isto...? Colaboração#008
Dlim... Dlom... novamente, a porta de madeira abriu-se e sentiu-se uma ligeira brisa.
O Maravilhas começou a correr desesperadamente à volta das estantes da livraria, os livros cada vez ficavam mais agitados a questionarem-se uns aos outros o porquê daquela atitude do gato.
O senhor Liácio, ao ver o desespero do Maravilhas, começou a correr atrás do mesmo com a intenção de perceber o que ali se passava, enquanto a menina Nela pedia aos livros para se acalmarem, pois tudo se iria resolver.
Dlim... Dlom... Dlim... Dlom... Por uns breves segundos todos pararam e ficaram a olhar para a porta em silêncio. Desta vez era a senhora Odete, vizinha da livraria, que chorava desalmadamente, pois não sabia do seu amigo Rick.
O Rick era um papagaio esperto e muito curioso, que gostava de aprontar das suas. Será que desta vez foi para a livraria provocar o caos?
Todos estavam preocupados, o Maravilhas saltava de estante em estante à procura do papagaio. Os livros começaram a fazer um plano para ajudarem o Maravilhas, enquanto que o senhor Liácio e a menina Nela pensavam numa solução para ajudar a senhora Odete. Até que, de repente, um livro de pequenas dimensões e de cor verde começou a gritar "Socorro, ajudem-me, estou a ser levado por esta criatura"...
Todos começaram a correr atrás do papagaio que, com a sua malandrice, conseguiu mais uma vez aprontar das suas e desta vez até os livros do senhor Liácio acabaram por entrar nesta grande aventura.
Mariana Mendes, n.º 20, 6.ºG
PARTE 2: Mas o que foi isto...? Colaboração#009
Assim que o gato pulou, todos se assustaram.
─ Acho que foi o vento - disse a Nela.
─ Pois, deve ter sido - afirmou o senhor Liácio.
Continuaram os dois à procura do livro e nada, mas não desistiram pois estavam muito curiosos acerca do livro.
─ Dlim, dlom!- soou a campainha novamente.
─ Outra vez! - refilou a Nela, já irritada.
─ Espera! - exclamou a Nela.- Será que quem está a tocar à campainha é o livro dos gatos?
─ Será?- suspeitou o senhor Liácio.
─ Vou lá ver - afirmou a Nela.- É ele, Liácio, andávamos nós à procura e cá está ele.
─ Então onde estavas, meu querido livro?- perguntou a Nela.
─ Fui à feira com estes dois jovens ver uns amigos meus. Não sabia que iam sentir tanto a minha falta! - explicou o livro, sem ainda perceber o que se havia passado.
Será que o livro está a dizer a verdade? O que será que aconteceu a seguir?
Inês Gomes, nº14, 6.ºG
PARTE 2: Mas o que foi isto...? Colaboração#010
Aparentemente, algo desconhecido acionou a campainha da porta da livraria. O que pode ter assustado o gato Maravilhas fazendo-o miar e pular?!
Talvez tenha sido algum objeto que caiu, ou uma pessoa que se aproximou da porta. É difícil dizer com certeza o que causou o barulho sem mais informações.
A situação foi-se repetindo dia após dia e, sem bem entender, o senhor Liácio achou por bem pôr-se de vigia, mas nada resolvia, pois o tocar da campainha era muito rápido.... Então decidiu colocar câmaras de vigilância.
No dia seguinte, com o soar do dlim, dlom, eles foram ver quem estava a provocar o som da campainha. Qual não foi o seu espanto, nada aparecia...tudo se tornava cada vez mais estranho, e o livro também não aparecia. Parece ter-se perdido ou extraviado em algum lugar da livraria. Certamente será necessário continuar a procurar.
Passados alguns dias, a menina Nela voltou à livraria. Precisava de fazer um trabalho sobre uma pintora e pediu ao senhor Liácio se lhe podia emprestar esse livro. O senhor Liácio prontamente se colocou em cima do escadote e foi à procura. Procurou, procurou, mas nada encontrou...
Enquanto isso, os jovens amigos voltaram à livraria para acariciarem o gato Maravilhas, admirando o seu pelo macio e a sua beleza. A menina Nela juntou-se a eles, esquecendo temporariamente a busca pelo livro. Até que soou novamente a campainha. Eles jogaram a mão à porta e abriram-na prontamente, quando de repente passou um vulto que mais parecia um tornado preto, muito escuro. Só que desta vez não lhe correu muito bem, foi contra uma estante de livros. Ele não contava que ainda estivessem pessoas na livraria àquela hora. Os livros tombaram e apanharam o vulto. Por mais assustados que estivessem, Nela e o senhor Liácio, corajosos, tiraram os livros um a um e descobriram que era apenas um ... gato!
O gato colocou-se de pé e fugiu a sete pés! Todos foram atrás dele. Encurralado, num beco sem saída, viram vários livros espalhados. Ao fundo havia uma casota linda, cheia de cor, que era feita com livros. Dentro dela havia uma gatinha linda, branquinha, que estava prestes a dar à luz. Eles ficaram espantados! Como é possível um gato ser tão esperto? Conseguiu chegar ao ponto de construir uma casota de livros para proteger a sua amada e os seus futuros filhotes. O senhor Liácio ficou cheio de pena e levou-os para a sua livraria.
Quando o Maravilhas se deparou com os novos hóspedes, ficou muito feliz, pois sentia-se muito sozinho. Até tinha, por vezes, medo de dormir sozinho naquela livraria.
E assim, a livraria voltou ao seu ritmo normal, com os clientes explorando os livros, o gato Maravilhas dormindo tranquilamente na montra, e os diversos gatinhos faziam as honras de receber todos os clientes que por ali passavam. Aquela livraria passou a ser um sítio de visita obrigatória por quem passava naquela vila.
Susana Filipe, n.º20, 6.ºF
PARTE 2: Mas o que foi isto...? Colaboração#011
Toda a livraria ficara em choque depois daquele estranho miar do Maravilhas. Todos estavam arrepiados, tal como o gato. Apenas se via uma sombra da pessoa que entrara na livraria. Enquanto o visitante mistério causava todo aquele suspense, todos naquela livraria recuavam perante a figura. Até que esta decidiu revelar-se.
Aquela estranha mulher vestia um vestido roxo escuro com detalhes de gato, um chapéu bicudo como uma verdadeira bruxa, o nariz empinado com ar um confiante, cabelos pretos escuros, batom avermelhado e umas grandes botas pretas.
Ninguém sabia quem era aquela estranha mulher, até que ela falou:
─ Que lugar é este que eu nunca vi nas minhas sete vidas?
─ É…é… uma livraria senhora - disse Liácio cheio de medo a gaguejava.
─ O que estão a fazer? - questionou a mulher.
─ Estamos à procura de um livro sobre gatos, mas este parece não estar aqui, o que não é muito habitual.
─ Bom, antes de tudo vou-me apresentar. O meu nome é Yuki, mais conhecida como a rainha dos gatos. E tu deves ser o Liácio. Tenho ouvido falar de ti pela tua fama dos livros.
─ Sim, eu sou o Liácio e esta é a Nela.
Os dois jovens fugiram a sete pés, depois de verem Yuki. Esta mostrou interesse pelo livro sobre gatos e logo perguntou de que se tratava.
─ Estão à procura do livro “Gatos entre laços”?
─ Exatamente! - disse Nela entusiasmada.
─ Bom, para conseguirem esse livro terão de passar por coisas não muito agradáveis!
Enquanto falava, tirou uma grande e mágica varinha de seu vestido, puxou os dois jovens que queriam fazer festas ao gato Maravilhas, e ainda pegou no coitado do gato.
A mulher desapareceu numa grande e nebulosa nuvem. Para Nela e Liácio conseguirem resgatar o seu gato Maravilhas e os outros dois amigos (Maria e Gonçalo), teriam de passar por escandalosos desafios. Saíram da livraria para perguntar às pessoas se conheciam aquela mulher.
Não obtiveram resposta, até encontrarem uma jovem chamada Adriana.
─ Olá - disse Liácio. - Será que sabe quem é uma senhora com um chapéu de bruxa e que aparenta ser a rainha dos gatos?
─ O nome dela é Yuki? - perguntou Adriana.
- Sim, ela levou dois jovens e o meu gato Maravilhas da livraria! – afirmou Liácio.
─ Oh não! Podem estar em apuros. Essa mulher é perigosa! Diz a lenda que ela foi amaldiçoada por uma bruxa. Essa maldição transformou Yuki, que era uma mulher linda de cabelos vermelhos, olhos verdes e sardas, numa mulher má, de cabelo preto e olhos escuros.
─ Isso é muito grave! Mas afinal porque recebeu Yuki essa maldição? O que fez ela de mal?
─ A bruxa, de seu nome Rafaela, tinha muita inveja da beleza de Yuki. Então lançou-lhe a maldição de raptar pessoas e gatos totalmente inocentes. Para conseguirem ter de volta os vossos amigos e o gato precisam de encontrar um livro secreto que vos indicará como encontrar dez itens raros, onde os colocar e como os colocar. Nunca ninguém conseguiu ter nada de volta de Yuki. Desejo-vos muito boa sorte.
─ Meu Deus! Nós temos de ter o nosso gato Maravilhas de volta! – suplicou Liácio.
─ E a Maria e o Gonçalo também! - exclama Nela.
Decidiram seguir caminho, depois de se despedirem de Adriana. Será que vão ser os primeiros jovens a conseguir obter o livro misterioso e os dez objetos?
Foram andando pela cidade fora, mas não obtiveram pistas do livro de que precisavam!
Até que chegaram a uma velha casa que estava a cair aos bocados como um gelado. Quando pensavam que não havia ninguém lá dentro... Puff! Uma outra bruxa apareceu com um livro mágico na mão.
Nela insiste e torna a insistir em ter aquele livro, mas a bruxa não o quer dar por nada! Até que Liácio aparece por trás da bruxa e arranca-lhe o livro da mão. Finalmente tinham o livro que precisavam! Abriram o livro, leram cada página e descobriram que apenas precisavam de dois objetos: uma mecha de cabelo da rainha mais poderosa do mundo e uma unha de lagarto. Apesar de serem apenas dois objetos, eram muito complicados de encontrar.
Decidiram ir até ao palácio da rainha Marta. Como havia um baile a decorrer, o palácio estava lotado de pessoas. Era preciso um bilhete para entrar, não tinham opção, o palácio estava cheio de guardas a verificar quem passava. Quando chegou a vez dos jovens decidiram fingir que eram filhos de pessoas importantes, dizendo:
─ Olá, sou o Liácio e sou filho do famoso carpinteiro, o Miguel. Vim buscar uma bebida para o meu pai e perdi-me no palácio. Podemos entrar?
─ Sim - respondeu o guarda, quase a dormir em pé.
Entraram na sala de exposições e lá estava ela, a mecha de cabelo da rainha Marta! Pegaram nela e saíram a correr em direção ao jardim zoológico, logo depois do alarme de segurança ser ativado. Entraram no Zoo e invadiram a zona de lagartos. Retiraram o corta unhas (que por sorte tinham na mala), saíram novamente a correr, mas desta vez até ao caldeirão mágico. Colocaram os ingredientes e puff! Apareceu o gato Maravilhas e os dois amigos.
E assim acabou tudo muito feliz!
Leonor Costa, n.º 11, 6.ºF
PARTE 2: Mas o que foi isto...? Colaboração#012
Plim, plim, era a campainha da livraria.
─ Que som é este? - perguntou o senhor Liácio.
─ Deve ser a campainha da livraria - respondeu um dos jovens.
─ Não, a minha campainha não faz este som, faz Dlim Dlom! - disse o senhor Liácio.
Os jovens e o senhor Liácio decidiram ir ver o que tinha feito aquele estranho barulho. Viram atrás do balcão, no meio das prateleiras e até nas casas de banho. Só restava um sítio: o armazém.
Juntos foram ao armazém e encontraram tudo revirado, os livros todos espalhados no chão, abertos e alguns até rasgados. O senhor Liácio ficou preocupado, porque tinha um livro que era muito importante para ele. Foi procurá-lo em todas as prateleiras e, quando chegou à última, o livro não estava lá. O senhor Liácio ficou muito triste e disse que ia fechar a loja; porém os jovens não o deixaram.
Até que um dos jovens saiu do lugar onde estava e fez um barulho estranho. Como ficaram curiosos, decidiram ir ver o que era. Conseguiram abrir o lugar de onde tinha vindo o barulho e descobriram uma passagem secreta.
Dentro do lugar secreto havia uma cama, uma mesa, vários livros e um telefone que fazia o som que tinham ouvido antes. Todos pensaram que vivia ali alguém e estavam certos.
Quem vivia ali era um dos ladrões mais perigosos daquela cidade - o André Costinha, mas tinha saído pelo túnel que fez. Quando entraram, estava lá o livro desaparecido da livraria do senhor Liácio. Ele ficou tão feliz que até pulava. Enquanto estavam a ver o que havia dentro daquele lugar, começaram a ouvir uns barulhos, que vinham do túnel. Era o André Costinha que estava a voltar para descansar. Quando ouviram aqueles barulhos, tentaram esconder-se debaixo da cama. Como eram muitos, não dava para todos. Então o André Costinha chegou, vi-os e tentou atacá-los. Porém conseguiram fugir e trancar o André Costinha dentro do lugar secreto.
Assim que trancaram o ladrão foram ligar para a polícia. Quando esta chegou, apanhou-o e prendeu-o. Depois disso nunca mais se ouviu falar dele.
O senhor Liácio ainda trabalha na livraria e os jovens passaram a ir muitas vezes à sua loja, ficando a ajudar em coisas como arrumar os livros novos e a cuidar do gato.
E foi assim que os jovens e o senhor Liácio conseguiram apanhar um ladrão.
Rita Figueiredo, nº 17, 6ºE
PARTE 2: Mas o que foi isto...? Colaboração#013
Ao olharem para a porta viram um homem... Era um velho que parecia estar furioso. Chamava-se Alexandre e era o dono da livraria ao lado.
O velhote começou a gritar:
─ Eu sou o dono da livraria ao lado, senhor Liácio! Vim dizer que se não fechar a livraria até à meia-noite, este lugar vai arder! E não ouse dizer à polícia, senão pessoas vão morrer!
O Alexandre saiu... "PUUM!!!"... e fechou a porta com muita força.
O senhor Liácio sentou-se e começou a pensar se podia deixar a livraria aberta. Algum tempo depois disse aos dois amigos e à sua sobrinha Nela para se irem embora, porque iria fechar a loja para sempre. Mas logo eles disseram
para não a fechar, pois iriam achar uma maneira de mantê-la aberta.
Começaram a pensar e chegaram à conclusão que podiam chamar os bombeiros à meia-noite, pois o senhor Alexandre apenas falou sobre a polícia, não falou dos bombeiros.
E assim foi! À meia-noite, o senhor Alexandre pôs fogo à livraria do senhor Liácio, porém os bombeiros já estavam a chegar e conseguiram apagar as chamas antes que atingissem os livros.
A polícia veio, mesmo sem eles os chamarem, e conseguiram prender o livreiro rival do senhor Liácio e a livraria pôde continuar aberta.
Renato Itaziki, nº 16, 6ºE
PARTE 2: Mas o que foi isto...? Colaboração#014
─ Liácio, olha ali!!- gritou a menina Nela, apontando para a porta.
─ O que é aquilo?- perguntou Liácio confuso.
Era um portal secreto, muito estranho com cores muito invulgares.
─ Anda! - ordenou Nela, muito entusiasmada com o que estava a acontecer.
─ Não! Estás maluca?! - perguntou ele preocupado. - Ainda podemos ficar lá presos e não quero viver sem ver a minha espantosa livraria.
─ Vá lá! Não sejas medricas! Não vai acontecer nada - insistiu Nela a tentar convencê-lo.
Então o livreiro acabou por ceder, e lá foi ele. Assim que entraram depararam-se com duas mil portas espalhadas por uma sala. Começaram a ouvir um miado, e todos ficaram confusos.
─ De quem será este miado? - perguntaram os dois em coro.
Fez-se silêncio naquela sala até que... apareceu uma sombra na frente de uma das portas, mas não era uma sombra qualquer. Era muito estranha e parecia um monstro mas, afinal, era... era... era...o gato Maravilhas. Assim que o avistaram ficaram muito felizes.
- Maravilhas! - gritou a pequena Nela cheia de felicidade.
Então lá foi ter com ele, mas assim que se aproximou... Pfff! ele desapareceu.
─ Que estranho, será que era apenas uma ilusão? - perguntou a Nela muito confusa.
─ Acho que não, parecia muito real, mas o que terá acontecido?- perguntou o livreiro muito atrapalhado.
Já não sabiam o que fazer, pois entraram num portal secreto, encontram duas mil portas e agora o gato tinha desaparecido mesmo na frente dos seus olhos.
Começaram a ouvir um miado, mas este tinha sido muito alto. Avistaram de novo o gato numa das portas, mas... pff! tinha desaparecido. Avistaram-no novamente mas,...pff! desapareceu… e assim sucessivamente.
─ Nós estamos a enlouquecer!!! - gritou Liácio muito desesperado.
De repente avistaram uma luz ao fundo daquela sala, mas a luz era tão forte que não conseguiam ver nada. Abriram os olhos lentamente e depararam-se com um teto muito familiar. Era o teto dos seus... quartos!! Mas afinal isto tudo tinha sido um sonho muito maluco.
─ Então afinal nada disto aconteceu?- perguntou Nela sem perceber patavina do que estava a acontecer.
- Sim, acho que sim- respondeu Liácio.
Catarina Zurrapa, n.º3, 6.ºE
PARTE 2: Mas o que foi isto...? Colaboração#015
O Maravilhas saltou daquela forma, porque nunca tinha visto aquele homem. Parecia que não vinha para ler. E estava certo, tratava-se do novo proprietário que vinha ocupar o espaço e dar início aos trabalhos de alteração da livraria. Há já algum tempo que um homem aparecera na aldeia e começara a espalhar que um café naquele espaço seria muito bom para a população. As pessoas adoraram a ideia e deixaram de ler e de comprar livros. O senhor Liácio começou a passar dificuldades e teve de vender a sua adorada livraria.
O novo proprietário começou a sua intervenção na loja: livros para a rua, estantes no lixo, revistas e jornais a forrar o chão para começar a pintar as paredes.
"Num café não são necessários livros", pensou o novo dono, e comprou um belo balcão frigorífico, mesas e cadeiras.
As pessoas passaram a frequentar o café e deixaram de ler. E, passados alguns meses, o antigo livreiro foi-se embora da vila. Era demasiado doloroso ver a sua loja assim.
Mas tudo se alterou quando uma cliente especial da antiga livraria, que tinha estado fora nos últimos meses, ficara muito triste e desapontada ao saber que a livraria não estava lá. Recusou-se a ir ao café e, sabendo que alguns clientes habituais da antiga livraria sentiram falta desta na vila e tinham saudades dos livros, foi falar com o dono do café e propôs colocar um canto dedicado aos livros, para que as pessoas pudessem ler enquanto estavam no café. Este achou que a ideia era boa.
A cliente especial e o dono do café foram procurar Liácio. Encontraram-no junto a uma praia de areia branca a ler um livro. A proposta surgiu naturalmente, as pessoas queriam um café, mas também precisavam de livros. Um café com livraria! As pessoas podiam entrar, beber um café ou um sumo e ler ou comprar um livro, comentar e partilhar leituras. Era uma ideia genial e só poderia ter um excelente resultado. Seria o maior sucesso dos últimos anos!
Só havia um problema. .. O homem do café tinha um cão e o Liácio tinha um gato, o Maravilha! Pensavam eles que era um problema!
Quando, de regresso ao café, agora com livraria, encontraram os dois, estavam muito divertidos a brincar com uma caixa. O café/livraria foi um enorme sucesso e rapidamente tiveram de ampliar o espaço. Vinham pessoas de todo o lado para conhecer este maravilhoso lugar.
Madalena Candeias, n.º12, 6.ºD
PARTE 2: Mas o que foi isto...? Colaboração#016
Todos estavam assustados e confusos, queriam saber o que se passava. Quando o senhor Liácio olhou para trás, reparou que o Maravilhas estava a ir para algum lado. Decidiram segui-lo. O Maravilhas andou por vários caminhos, subiu em muitas prateleiras chegando a sítios que nem o próprio Liácio conhecia. Todos estavam espantados. Não acreditavam que tal animal conseguisse descobrir tantos espaços diferentes. A Nela decidiu fazer um mini mapa dos caminhos que ia vendo.
Até que o gato para! Na sua frente está uma porta, uma porta nunca antes vista naquela livraria. Parecia estar ali há dias, meses, anos, até, possivelmente, décadas. Era muito estranho para todos, principalmente para o dono, que tanto adorava aquela livraria e não sabia nem metade do que ali se passava.
Quando o Maravilhas abre a porta, esta também faz um dlim, dlom. Eles entram e veem prateleiras cheias de livros, era como uma mini biblioteca. Mas, em vez das prateleiras estarem organizadas por categorias, ou de A a Z, estavam organizadas como "Livros esquecidos", "Livros de longa data" e "Livros desinteressantes".
Eles olham para o gato e veem o tal livro nas suas patas. Quando as crianças estavam para sair, um livro cai da prateleira. Decidem abri-lo, e quando o abrem, são transportados para dentro daquela história. Todos acordam num campo rodeado de girassóis com roupas diferentes, muito elegantes. Dentro do bolso de cada um tinha um convite para um baile.
Todos questionaram o que seria aquilo, mas simplesmente concordaram em ir ao baile.
Quando lá chegaram estava tudo muito enfeitado, era como uma junção de moderno e antigo. Era quase como um palácio, mas o teto era aberto, tinha mesas cheias de comida e uma passadeira vermelha. Havia até um canto só para animais.
Todos estavam a divertir-se, estavam a adorar aquilo. Mas o senhor Liácio estava desconfiado. Aquilo não era um acaso, era como se o gato quisesse que eles entrassem. Este decidiu ir ter com o gato. Não era permitido os animais andarem pela festa. Então ele escondeu o gato numa bolsa que tinha encontrado e deixou o Maravilhas guiá-lo, apontando com a cabeça.
O Maravilhas guia o Liácio para uma sala onde está uma rapariga a chorar.
─ O que se passa? - perguntou Liácio.
─ Olá! Espera, tu não és daqui!
─ Como sabes?
─ É um segredo. O meu nome é Lisa e eu também não sou daqui. Eu preciso de ajuda para poder sair, não aguento mais estar aqui.
─ O meu nome é Liácio. Eu e os meus amigos vamos ajudar-te a sair daqui. Até já tenho uma pista!
Liácio e Lisa chamaram os outros e foram para o campo de girassóis. Ninguém tinha aberto o convite, apenas leram a parte de fora. Então Liácio pensou que se, ao abrir o livro isso os ajudou a chegar ali, então talvez abrindo o convite conseguissem voltar. Abriu o convite. E foi o que aconteceu.
Quando todos voltaram, a Lisa regressou a casa agradecendo a ajuda. Os meninos voltaram para casa com o livro que andavam à procura e Liácio e a Nela fizeram daquele espaço uma parte da sua livraria.
Margarida Silva, n.º 15, 6.ºF
PARTE 2: Mas o que foi isto...? Colaboração#017
De repente, apareceu uma silhueta na porta, era um menino, mas ninguém o reconheceu.
Sem dizer nada a ninguém, Liácio pensou "Quem será aquele menino? E porque terá Maravilhas saltado daquela forma?" Liácio apenas olha, discretamente, para a menina Nela. Esta parecia intrigada mas, à semelhança dos outros, não disse nada.
Então, Liácio pergunta:
─ Boa tarde, menino. O que o traz aqui?
─ Boa tarde. Têm algum livro com o nome "A vida dos gatos"?
"Estranho", pensou Liácio, aquele era o nome do livro que tinha desaparecido.
─ Não - afirma o homem. - Hoje, por acaso, reparámos que esse livro não está no seu lugar. Ele desapareceu.
─ Bem, eu sou um detetive privado, posso ajudar-vos.
─ Ah! Ah! Ah! - riu-se Nela. - Uma criança detetive? E isso existe?
─ Bom, se isso não existisse eu não teria profissão. Mas, continuando, eu posso ajudar-vos - insistiu o menino. - Já agora, o meu nome é Brian.
─ Bem, eu acho que não precisamos de ajuda, mas podes mostrar-nos o que consegues fazer.
Então, o menino pousa uma mala que até agora ninguém tinha reparado que ele trazia, tira uma lupa lá de dentro e começa a andar pela livraria.
Mas Nela não parecia convencida de que ele os iria ajudar, e começou a vasculhar a mala de Brian, sem que ele percebesse.
─ Para imediatamente! -exclama Nela. - Eu sabia que algo não estava certo, ele tem aqui o livro! Achavas mesmo que nunca irias ser apanhado se fingisses ser detetive? O teu plano era fingir ser detetive para depois fingires encontrar o livro e ficares com os louros.
─ Meu Deus! Como conseguiste perceber isso tudo tão rápido? - pergunta o Brian espantado!
─ Uma mágica nunca revela os seus segredos. Mas como é que conseguiste o livro?
De repente, fica um silêncio absoluto.
─ Alô! - chama Nela, mas ninguém responde. - Alô! - repete.
De súbito, parece que as luzes começam a ficar mais fortes e... Nela acorda, ela está no chão da livraria mesmo em frente ao escadote.
─ O...o que aconteceu?- balbuciou.
─ Caíste do escadote e desmaiaste. Estás bem?
─ Sim, só estou com um pouco de dores de cabeça. A menina Nela olha para o lado e vê o livro "A vida dos gatos".
Agora, ela lembra-se. O livro caiu-lhe na cabeça e ela deve ter desmaiado.
Bianca Almeida, nº4, 6.ºD
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