E num piscar de olhos o nosso sossego desapareceu e veio então a resposta.
O Maravilhas assustou-se com o cão que entrou a correr pela porta da livraria, juntamente com o dono atrás, desesperado, a tentar agarrá-lo.
Imaginem um cão buldogue francês, branco com manchas pretas, redondo, saltitão e desengonçado, com um latido rouco e assustador, a perseguir o Maravilhas.
O nosso pobre gato tão manso, meigo e cuidadoso, aterrorizado pelo cão, desatou a correr e a saltar, a tentar fugir e alcançar as prateleiras mais altas, na esperança que o cão não o conseguisse alcançar.
Mas o cão de maneira sobrenatural saltava alturas inacreditáveis para um pequeno cão como aquele.
Todos ficaram muito assustados com a confusão.... Primeiro com o barulho forte da campainha da porta, depois com o dono a gritar pelo cão. O senhor Liácio, com as mãos na cabeça e cara assustada, nem tinha palavras para o que estava a acontecer.
Quando repararam o que se passava realmente, já havia muitos livros pelo chão, rasgados, amassados, pisados pelo Maravilhas e pelo seu perseguidor.
A Nela, num impulso, foi atrás do Maravilhas e os jovens amigos foram atrás do cão.
Finalmente, após alguns minutos que pareceram horas, conseguiram alcançar os animais e acalmá-los.
O senhor Arnaldo, dono do cão, muito envergonhado pelo acontecimento, explicou que estava na rua, em frente à montra da livraria a observar os livros e tinha o Pipocas ao colo. Mas não percebeu que havia um gato lá dentro e, como o seu cãozinho fica louco ao ver gatos, saltou-lhe do colo e provocou aquela confusão.
Ele pediu desculpas por não conseguir controlar a fúria do Pipocas e com humildade perguntou como poderia compensar tanto prejuízo.
Como seria possível reverter tamanha destruição dos meus amigos livros?
Filipe Martins, n.º6, 5.ºE